Irmãos, uma coisa que todos nós que somos crentes gostamos de falar é sobre o amor. Falamos a todo o momento: “Deus te ama”, “Deus é amor”, “Amai-vos uns aos outros” entre outros exemplos. Mas será que todos nós temos o mesmo entendimento sobre o que é o amor? Alguém arrisca uma resposta?
Vamos ver o que João nos fala em sua primeira carta:
1Jo 3:16
16Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos.
Vou repetir a pergunta agora: O que é o amor?
O amor de Cristo, escrito na Bíblia, é a entrega pelo outro. Amar é se dedicar a pessoa amada a ponto de deixar de lado os próprios interesses pelos interesses dela: “Amar uns aos outros como a si mesmo”.
Nós temos um “dom” natural de buscar nossos interesses e, por conta disso, pensamos que nossos interesses são mais importantes que os demais. Então julgamos tais interesses comparando-os aos próprios e colocamos numa escala:
- Mais importante: meu interesse
- Médio importante: interesse do outro que me traz algum benefício
- Pouco importante: interesse do outro que não me traz benefício
- Nada importante: interesse do outro que me faz mal
Se essa escala é a nossa natureza, temos que lutar contra nossa natureza para poder amar alguém, pois somente assim conseguimos colocar o interesse do outro numa escala maior que o nosso próprio interesse!
Complicado? Difícil? Será que tem outra saída? Vejamos uma dica:
Rm 14:1-3
1Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa. 2Por exemplo, algumas pessoas creem que podem comer de tudo, mas quem é fraco na fé come somente verduras e legumes. 3Quem come de tudo não deve desprezar quem não faz isso, e quem só come verduras e legumes não deve condenar quem come de tudo, pois Deus o aceitou.
Neste trecho, as palavras “criticar” e “desprezar” resultam em “condenar”. A mensagem diz “…não deve condenar…”, que é um resultado, é uma sentença após um julgamento. Então, para não condenar nós devemos não julgar os irmãos!
Esse é o segredo que Jesus nos ensina em várias passagens. Ele visita os pecadores, cuida dos doentes, conversa com os necessitados da mesma forma que faz as mesmas coisas com os ricos, sãos e com os mais fieis a Deus. Ele faz isso porque estes interesses não fazem parte do seu julgamento. Ele não olha para isso, mas sim para aquilo que é a razão dele na terra: resgatar almas.
Muitas vezes nós deixamos de aproveitar um passeio de um dia todo somente por que logo no início do dia levamos uma fechada no transito. Se conseguirmos focar no que realmente importa, poderemos ver que um pequeno incidente não tem a importância suficiente para nos tirar do nosso propósito. Assim fazia Jesus (e não somente com pequenos incidentes, mas até mesmo diante de toda perseguição que ele sofria). ***
Mas na verdade, por que devemos amar uns aos outros? Não basta amar a Deus e tentar viver sem pecados? João nos dá um motivo:
1Jo 2:9-11
9Quem diz que vive na luz e odeia o seu irmão está na escuridão até agora. 10Quem ama o seu irmão vive na luz, e não há nessa pessoa nada que leve alguém a pecar. 11Mas quem odeia o seu irmão está na escuridão, anda nela e não sabe para onde está indo, porque a escuridão não deixa que essa pessoa enxergue.
Quem vive na luz ama seu irmão! Amar uns aos outros é um sinal que Jesus nos ensina. Uma indicação para sabermos se estamos realmente na luz. Segundo este trecho, se ainda há em nosso coração os sentimentos de indiferença, falta de compaixão e julgamentos diversos, então ainda não estamos na luz.
Mas isso não deve ser para nós um sinal ruim. Nós sabemos que somos carne e que temos que lutar constantemente, orando, jejuando e pedindo ajuda de Deus. No entanto, algumas vezes chegamos a pensar que já estamos tão pertos de Deus que damos brechas para o orgulho entrar em nosso coração. É nesta hora que este sinal nos é útil: ele nos lembra de olharmos nosso comportamento com os irmãos e reconhecermos nossas limitações diante de Jesus, nosso mestre.
Certa vez eu vi um filme que continha uma cena muito marcante: um empresário bem sucedido visita sua mãe com mal de Alzheimer. Diante de sua mãe ele pensa alto: “eu estou bem com Deus, pois minha vida é confortável, tenho bens, sou repeitado pelas pessoas. Não tenho que vir aqui e ficar vendo esta cena de minha mãe doente!”
Este pensamento demonstra que este empresário pensa que Deus o está aprovando, pois sua vida é confortável. No entanto, notem que ele não está demonstrando amor por sua mãe. Isto é um sinal.
E na próxima fala, sua mãe lhe diz: “às vezes o diabo proporciona vida boa para que você se afaste cada vez mais de Deus.”
Esse ensinamento é importante irmãos, ele serve como um termômetro de nosso relacionamento com Deus. Ele é reforçado a seguir:
1Jo 4:20-21
20Se alguém diz: “Eu amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê. 21O mandamento que Cristo nos deu é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão.
Vamos refletir um pouco mais. Estamos chegando à conclusão que devemos amar uns aos outros, sem julgar. Isso significa que devemos aceitar passivamente as injustiças? Se uma pessoa é injusta conosco, devemos simplesmente aceitar?
Eu penso que não. Amar as pessoas não é aceitar o que elas fazem, mas sim não gerar por elas sentimentos ruins por causa do que fazem. A injustiça deve ser corrigida, mas sem ódio, sem raiva, buscando a sabedoria de Deus.
O que importa para Deus é o que tem no nosso coração. É isto que precisamos nos atentar. Estaremos sempre sujeitos a ataques de todo tipo e é muito comum que aquelas pessoas que mais nos “amam” nos causem grandes mágoas. Como reagiremos a isso? Endurecendo o coração ou buscando ajuda de Jesus?
É preciso estar sempre atentos. Dedicar cada momento a Deus. Você dedica a Deus uma discussão inflamada de raiva? Provavelmente não, mas sim dedica um conflito resolvido de forma mansa, com apoio na palavra de Deus. Este sim enche nosso coração de sentimentos bons.
Injustiça é pecado e Deus condena o pecado, repreende o pecador corrigindo como se corrige um filho amado.
Jesus fez uma oração maravilhosa a nosso favor. Pediu a Deus que nos aceitasse. Pediu ao Pai que nos abençoasse apesar de todo o sofrimento que causamos (como humanidade) a Ele. Ele pediu ao Pai misericórdia e é por isso que estamos aqui hoje. ***
Por amor Jesus se entregou em nosso favor e por amor ele voltou dos mortos para nos mostrar que se preocupa. Ele sabia que com sua morte os apóstolos ficariam com medo e nós (gerações futuras) iríamos nos perder. Então mais uma vez ele se mostrou e provou que vale a pena viver seus ensinamentos. Isso é amor incondicional!
Durante sua estadia conosco ele repreendeu pecadores, e até expulsou os mercadores do templo. Ele nos mostrou que amar não é aceitar injustiças, mas aceitar que os injustos precisam de ajuda, precisam de luz!
Para encerrar:
Rm 15:7
7Portanto, aceitem uns aos outros para a glória de Deus, assim como Cristo aceitou vocês.